domingo, 29 de outubro de 2006

O QUE FICA DE QUEM FOI



Ao ler o que publicou a Rê, esses dias, lembrei-me do que estava dentro de mim, querendo ser escrito. Há algum tempo guardei uma frase, que ouvi ao final do filme “Peixe Grande”. Falava sobre o quanto permanecem vivos em nossas lembranças aqueles que já se foram. Por seus feitos. E quanto sua presença é forte em determinadas coisas, mesmo depois da partida. Bom, perdi a frase. Mas tinha algo a ver com isso.

Guardei porque me remeteu à minha vó. Ela é presente, ainda, em muitas e muitas coisas em minha vida. Em meus mantos e cachecóis. Na decoração de minha casa, principalmente por cada coisa que fez para meu enxoval. E também estará presente quando tiver meus filhos, pois fez questão de deixar bordados os lençoizinhos que os cobrirão, a mantinha que os agasalharão, as viradinhas de manta que os enfeitará. E as vezes está presente até quando olho para minhas pernas brancas no inverno. Mas, principalmente, está presente nas músicas que por vezes me pego cantarolando. Ela nunca gostou de música alta, mas estava sempre a assoviar ou cantarolar alguma musiquinha.

As que embalaram as estórias que contava:
“Olhe, negro do meu pai, não me corte com a enxada.
Minha mãe me penteou, minha madrasta me matou.
Xô, xô, passarinho, não come figo da figueira”
.

Ou as que nos ensinava escondida:
“Tua mãe é uma pu (piruliruli)
Uma pu (piruliruli)
Uma puríssima donzela!
O teu pai deu o cu (piruliruli)
Deu o cu (piruliruli)
Deu o 'curação' por ela!”


Ou a que martela no meu ouvido a cada vez que vou beber um vinhozinho, com vontade de começar a rir:
“- Mulher, tu não bebe o vinho, que eu te dou um tamanco.
- Tamanco deixa o pé manco, marido! Eu tenho que beber o vinho.
- Mulher, tu não bebe o vinho, que eu te dou um vestido.
- Vestido é papel comprido, marido! Eu tenho que beber o vinho”.

Ou as que me deixam com vontade de chorar:
“Um pequenino grão de areia
Que era um pobre sonhador
Olhando o céu viu uma estrela
Imaginou coisas de amor”
Ou:
“Creio em ti, ao ver que a chuva cai e faz a flor nascer
Creio em ti, ao ver que quando é noite aqui é dia ali”.

E por tudo isso é que digo que quem vai, não necessariamente se torna ausente. Apesar da saudade, as vezes, até, mais presente está.

7 comentários:

Ggel disse...

É verdade Aninha, às vezes as lembranças são tão fortes que a gente tem a impressãod e que a pessoa está ali, pertinho, né?
Mas confesso, a melhor das músicas foi da mãe que é uma donzela...hahahahahaha...vou ensinar pra Julia.
Beijocas

Karine disse...

E como estão presentes, Aninha!

Sempre no pensamento, nos momentos de tomadas de decisão... nos sorrisos... enfim sempre está presente a lembrança do que foi vivido!

Bjos Karinhosos,

Carol Maria disse...

É, a saudade é uma espécie de preenchimento do vazio da pessoa que se foi. :*cas, linda.

Marcia disse...

Oi Aninha,
Boas recordações da sua avó, né? Isso é tão gostoso: perceber o quanto vc ama(va) e era amada.
Bjks,

TECO disse...

E a saudade é sempre um bom aliemnto pra alma aninha
bejassos pra ti

www.tajan.blig.com.br

TECO - BALNEÁRIO CAMBORIU/SC

Renata disse...

Aninha, querida!

Lindas lembranças!
A saudade é uma forma de trazer pra perto aquele que está longe ou mesmo aquele que já se foi.
Sou muito saudosa de meus avós também...principalmente da vó...
Esse post me fez lembrar de minha vó lavando roupa no quintal e cantando junto com as músicas que ela adorava escutar...Eu ficava estudando e ouvindo...Ai...ai...

Beijão, querida!
Saudades enoooormes de vc também.

Claudete disse...

Eu estava hj procurando uma musiquinha que ouvia qdo criança: "mulher não beba pinga que te dou uma pulseira, pulseira me dá coceira marido, vamos beber pinga..."
Qdo encontrei a sua versão do 'não beba vinho', fiquei parcialmente feliz rsrsrsrs
PS: Se + alguém conhecer me da uma luz...