terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Te-vê

Não sou fã de novelas.

Volta e meia faço piadas em cima disso (os cabelos esquisitos das atrizes, as roupas esquisitas, os esmaltes espalhafatosos, tudo feito para o povão comprar mesmo o que é feio e vulgar).

Acho tudo muito forçado para arrancar emoção do espectador. Falta sutileza, cuidado, bom-gosto, realismo.

Raras vezes é possível ver boas cenas, feita por atores que não precisam de cacoetes, bordões, figurino extravagante.

Meses atrás vi uma cena de Glória Menezes e Tarcisio Meira, pelo que entendi, o casal de personagens se ama mas passou a vida toda separada (meu namorado vê novela, então, volta e meia absorvo o que me chama atenção, mas nunca sei a história toda) e estava meio que acertando as contas, conversando sério, fazendo um balanço de como eles chegaram a uma idade avançada resistindo a um amor tão forte e inabalável. É público e notório que o casal de atores está junto há muito tempo. Talvez por isso, por se conhecerem não só pessoal mas profissionalmente, foi uma cena belíssima, digna de cinema. Cena sem trilha dramática, só um texto sincero, sem firulas, interpretado por atores que fazem o que fazem porque são bons e fizeram tudo na calma e na tristeza que um tema desses merece. Até chorei, achei lindo.

Lembro também que eu gostava muito das cenas de Wagner Moura numa novela aí (não vou lembrar o nome, desculpem), em que ele não media esforços para fazer um canalha realista, do tipo de gente que, infelizmente, a gente pode conhecer de verdade: pessoa sem caráter, mas falha e cheia de rancores e mágoas mas capaz ainda de fingir boa educação e gentileza quando lhe convia. Achava bárbaro, mas, de novo, eu morria de preguiça de esperar o capítulo todo para vê-lo atuar.

Mas só. Vejo pedaços de outras novelas e me falta entusiasmo, acho piegas, acho que a dramaturgia brasileira há muito descambou para o novelão mexicano, com personagens exagerados, dramas profundos e rebuscados, amores tããão difíceis de se realizar que dão até... preguiça.

O próprio novelão mexicano já aprendeu a rir disso com a bem sucedida novelinha "Betty, a feia", que ganhou versões em vários países de língua espanhola e conquistou os figurões da tv americana que muito abastece os latinos, produzindo uma série tão divertida quanto emocionante. Faz piada de uma cultura misturada e exagerada e ao mesmo tempo critica o consumismo cego (como o que citei no começo do texto) e a obssessão contagiosa com a magreza e a beleza a todo custo, mas com coração e sincera, sem medo de se criticar e ao mesmo tempo de divertir e emocionar. A Record comprou os direitos para fazer a versão brasileira. Vamos ver se não acabamos por ganhar de presente mais uma produção típica da Telefe+SBT...

Ontem vi o capítulo inicial de "Maysa, quando fala o coração". Vi porque a história promete: mulher ousada, como poucas foram ou são; cantora primorosa e apaixonada; vida pessoal conturbada e alterada quimicamente. Praticamente uma Johnny Cash de saias e brazuca.

Mas que preguiça que me deu quando eu soube que o filho da cantora em si dirigiria a minissérie...

E ontem comprovei que eu deveria ter tido mais preguiça e não visto a minissérie.

A premissa é boa, o investimento foi grande, mas é uma novela!

Os textos exagerados, pouco plausíveis para uma vida real, mesmo numa discussão calorosa.

Maysa remoendo a tal discussão com a fala sendo reptida in-off... novelããão!

Figurinos bons mas nada que já não tenha sido visto antes.

Elenco competente, mas nada avassalador. A atriz é mesmo muito parecida a Maysa, mas me parece que falta carga emotiva, falta experiência e falta esconder mais o sotaque gaúcho que não cabe numa mulher ponte-aérea Rio-SP.

E os pais de Maysa? Bom casal de atores, mas o quê, foram conservados no éter?! Não orna: a atriz fazendo a Maysa adolescente, jovem e aos 40 e os pais com a mesma cara, o mesmo cabelo. Puxa, falha grave!

Enfim, mais desgostei do que gostei.

Já estou achando muito ruim que esta minissérie vai atrasar em muito a entrada de "Lost" semana que vem... (que eu já vi a 4ª. temporada faz tempo, mas sou nerd, vejo quantas vezes for possível e de preferência na tv 29'' e não no monitor 15''...)

6 comentários:

Pri disse...

Carol, eu aboli a tv aberta do meu dia a dia há 1 ano. Nunca mais assiti novela, não suporto.Eu já assiti muita novela nessa vida, por pura falta do que fazer.
Adoro tv a cabo porque tem uma progamação que faz mais o meu estilo (adoro seriados, e pq se tem tantas opções, que vc só assite porcaria se quiser mesmo.
Eu nem tava sabendo dessa tal minissérie que vc falou. O povo aqui diz que sou alienada. Mas prá mim, essa alienação é bem vinda.
Qto as cenas do Wagner Moura, eu me lembro bem... ele dá um show mesmo. É ator de cinema que faz novela. Acho que pq a grana é boa.
Grana é grana, sempre...
Bjão, adorei o post.

Carla e André disse...

Pois é, Pri, eu não vejo novela, mas volta e meia sou invadida por elas, seja porque alguém com quem convivo as vê. Mas tudo bem, ninguém morre disso. Eu também não tenho tv a cabo (porque é caro, burocrático) por isso apelo mesmo para internet: vejos meus seriados favoritos na net e quando passam na tv aberta, vejo de novo! rs Mas alienação de tv eu não considero totalmente boa, como quando um dia, uma amiga de um amigo meu disse que ia viajar pro interior de Minas e ele brincou perguntando se ela estava vacinada. A menina encheu o peito e disse que não via tv para não se chatear mas ia entrar numa furada, porque nem ver (nem ler também...) jornal ela via, para saber que na época, havia um surto de malária em vários cantos do país... acho que há casos e casos que tv é boa ou não.

Pri disse...

Ah.. para que n fique nenhum mal entendido: eu sou alienada qdo o lance é novela e programa ruim.
Para o resto, sou antenada... A internet nos proporciona isso, de muitas maneiras e as vezes até sem tanto sensacionalismo.

Sissi disse...

Tá eu fiz um comentário enorme e a droga da internet perdeu tudo. Resumindo: eu amo novelas, mas não dá pra assistir essas drogas que estão passando na tv. Não gosto das séries americanas, só algumas poucas como Lost. No final, espero que um dia passe essas trevas culturais e as pessoas voltem a produzir coisas boas. A única coisa que tem se salvado são filmes.

Marcia disse...

Oi Caroleta, eu nunca curti novela e como nosso amiga Pri aí, eu sou alienada da TV aberta. e ponto.
Bjks

Nati disse...

Eu assisto novela e adoro. Só não assisto toooodas indistintamente, assisto apenas as que eu gosto, assim como assisto apenas aos telejornais e programas jornalísticos que eu gosto e acesso somento o sites que eu igualmente gosto.
Sinceramente, essa coisa de dizer que a tv só tem porcaria pra mim já-deu.
Obviamente, não a ligue dia de domingo à tarde.

Enfim.

No caso da Maysa, consegui assistir 2 dias. Depois disso, eu dou uma olhadinha só. Na boa, se a série saiu dos diários de Maysa, ela era chata demais.

Beijo